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“Queremos ser reconhecidos como a casa das empresas” - IAPMEI

sexta, 16 março 2018 09:38

Entrevista com presidente do IAPMEI – “Queremos ser reconhecidos como a casa das empresas”
Publicado a 15 de Março de 2018 jornal "O Ribatejo"

«Jorge Marques dos Santos, presidente do IAPMEI, fala-nos aqui dos apoios deste organismo à inovação na economia, das políticas de financiamento e da sua visão sobre o tecido empresarial do Ribatejo

Que papel tem hoje o IAPMEI no apoio às empresas?

O IAPMEI é um parceiro estratégico. Toda a nossa atuação se baseia na proximidade às PME com a missão de promover o empreendedorismo, estimular o investimento e a inovação e apoiar a capacitação competitiva das empresas, virada para o mercado global. O nosso papel é, por isso, o de disponibilizar diferentes instrumentos de política pública para empresas que queiram crescer, que queiram basear a sua estratégia na inovação, criatividade, diferenciação, e que apostem decididamente na internacionalização. Queremos ser o parceiro público por excelência das empresas, sermos reconhecidos como “a casa das empresas”.

Que instrumentos é que o IAPMEI tem disponíveis para as empresas?

O IAPMEI disponibiliza soluções que respondem às empresas ao longo de todo o seu ciclo de vida. Em paralelo, mantemos o foco nas grandes prioridades da política pública para a economia portuguesa, nomeadamente nos instrumentos de estímulo ao empreendedorismo, à inovação, à capacitação competitiva e à internacionalização.

No domínio do empreendedorismo e inovação, destaco o programa StartUP Voucher, que disponibiliza um conjunto alargado de apoios a projetos em fase de ideia e o acesso à Enterprise Europe Network da Comissão Europeia, que o IAPMEI coordena em Portugal, que disponibiliza um serviço integrado às empresas, facilitando a sua inovação em novos mercados.

No que respeita a soluções de financiamento (crédito e capital) o IAPMEI, através de sociedades financeiras e fundos participados, disponibiliza às empresas, um conjunto de soluções de crédito, que permitem dar resposta a necessidades gerais de financiamento ao investimento e à inovação, fundo de maneio e tesouraria e, a necessidades resultantes de situações específicas para fazer face a ocorrências extraordinárias.

Na gestão de fundos do Portugal 2020, o IAPMEI tem na sua esfera os sistemas de Incentivo para Inovação Empresarial e Empreendedorismo, Qualificação e Internacionalização de PME e Investigação e Desenvolvimento Tecnológico. O número de candidaturas de empresas praticamente triplicou face ao período homólogo do quadro anterior e a execução dos fundos teve um comportamento idêntico.

A aposta na chamada Indústria 4.0 está em marcha com intervenção também do IAPMEI. As empresas estão a aderir em grande número ou é ainda um caminho trilhado por alguns “exploradores”? Como fazer chegar a mensagem da revolução digital ao empresariado mais velho, que ainda tende a desconfiar destas “inovações”?

A Indústria 4.0 não é uma moda, nem uma opção, mas sim uma evolução imparável, que obriga a maior informação, qualificação e partilha de experiencias, já que a competitividade não é mais entre empresas no mercado nacional, mas sim de todo o setor no mercado global. As empresas têm de aprender a ganhar massa crítica trabalhando em conjunto, em especial na sua abordagem ao mercado de exportação. A transformação digital dos processos de negócio, potencia o funcionamento em rede e permite que as cadeias de valor ultrapassem as fronteiras da empresa passando a abranger as atividades a montante e a jusante de uma forma ubíqua. As startups de base tecnológica podem desempenhar um importante papel neste caminho, trabalhando em parceria com as indústrias tradicionais, trazendo-lhes competências que elas isoladamente levariam muito tempo a desenvolver.

As respostas a este novo paradigma e os impactos nos diferentes setores serão diferenciados. Se nalguns casos se esperam/verificam alterações muito rápidas e claramente disruptivas, outros viverão todo o processo de uma forma mais “evolutiva”.

Em qualquer dos casos, importa perceber as características essenciais deste novo modelo e avaliar os inevitáveis impactos nas estratégias e nas dinâmicas empresariais tal como as conhecemos hoje.

Temos gente capaz, temos uma literacia digital elevada nas novas gerações, temos boas universidades a formar nessa área e podemos aproveitar esta onda da Indústria 4.0 também como negócio em si. As gerações tradicionais têm que perceber que se não se informarem e não começarem rapidamente a utilizar a digitalização nos seus processos produtivos e de negócio, vão ficar fora de jogo e isso seria dramático. Diria que é inevitável esse movimento.

Quais são os principais fatores para uma empresa ter sucesso na internacionalização?

Para uma empresa ter sucesso na internacionalização é fundamental em primeiro lugar que tenha os seus sistemas de gestão, processos e produtos seguindo as melhores normas de qualidade consistente. Nada pior do que tentar entrar num mercado e falhar no cumprimento dos seus compromissos e na qualidade dos seus produtos.

Tem de conhecer bem os mercados onde vai entrar, de preferência com parceiros locais, de confiança e conhecedores das cadeias de valor dos locais de destino. Tem de dispor das capacidades financeiras e de financiamento adequadas para assegurar cumprimento de prazos e fornecimentos com dimensão e escala normalmente muito superior à que estavam habituados no mercado nacional. É fundamental assegurar a devida proteção dos seus créditos, para o que existem no mercado boas soluções de seguros.

Um aspeto essencial é dispor de uma cadeia logística eficiente e eficaz, geralmente recorrendo a operadores logísticos experimentados nos mercados que pretende atingir, atuando em parceria.

Acima de tudo, tem de sair do conforto “da sua casa”, para conhecer bem os mercados onde se vai implantar, dispondo para o efeito de apoios em sistemas de incentivos especializados, cooperação com Associações, presença em feiras.

A dificuldade de acesso ao financiamento é um dos problemas que mais afeta as empresas. O que tem feito o IAPMEI neste domínio?

O Programa Capitalizar, lançado pelo Governo em 2016, e no qual o IAPMEI tem intervenção, foi desenhado para prestar apoio à capitalização das empresas, à retoma do investimento e ao relançamento da economia, com o objectivo de promover estruturas financeiras empresariais mais equilibradas, reduzindo os passivos das empresas que se apresentam economicamente viáveis, ainda que com níveis excessivos de endividamento, bem como melhorar as condições de acesso ao financiamento das PME.

A região do Ribatejo tem estado a dar passos pioneiros nas estruturas de apoio às startups – como a «Startup Santarém» por exemplo -,uma área em que o IAPMEI dispõe de instrumentos de apoio. Que acompanhamento faz o IAPMEI destas iniciativas e como pode ajudar a que se consolidem e cresçam em número?

Em Portugal tem-se vindo a aprofundar um verdadeiro ecossistema de empreendedorismo. Repare-se que hoje temos já mais de 120 incubadoras reconhecidas no âmbito de uma medida em que o IAPMEI tem um importante papel de gestão que se chama Vale Incubação.

O IAPMEI tem sido de facto a entidade pública que gere algumas das medidas mais emblemáticas da Estratégia Nacional para o Empreendedorismo que está a ser levada a cabo pelo Governo.

Um bom exemplo é o StartUp Voucher que, por estar a ser uma medida de grande sucesso, vai avançar com mais duas fases de candidatura em 2018. Tem sido feito um esforço para por Portugal no radar do Empreendedorismo.

Hoje em dia, qualquer nova iniciativa empresarial nasce no mercado global. Precisamos, cada vez mais, de referências mundiais de sucesso, de acesso a capital e a financiamento global. Precisamos não apenas de apoio público, mas também de um crescimento do empreendedorismo corporativo e de continuar a apostar na inovação empresarial e na colaboração entre empresas e centros de saber para criarmos um ecossistema empreendedor que se autoalimente.

Mas naturalmente que, sendo importante o aparecimento de startups como sinal de vitalidade do tecido empresarial, é fundamental assegurar que vão crescer e tornarem-se empresas sólidas e sustentáveis, criadoras de emprego e impulsionadoras do crescimento económico.

Que caraterização faz do tecido empresarial do Ribatejo?

A região do ribatejo possui um tecido económico muito variado e rico. Salienta-se contudo o potencial dos recursos endógenos da região, nomeadamente ao nível do setor agroalimentar, principalmente pela sua elevada incorporação nacional e pelo potencial que representa em termos de desenvolvimento sustentável da região. A utilização destes recursos endógenos pode traduzir-se em vantagens competitivas no mercado, diferenciando os seus produtos pela origem e pela qualidade. Isso não invalida a relevância de outros setores, até porque a força e resiliência de uma região está igualmente na variedade das atividades económicas.

Qual é o grau de utilização dos fundos e programas comunitários, geridos pelo IAPMEI, por parte das empresas do distrito de Santarém?

Efetivamente, a procura dos apoios tem excedido todas as expetativas e resulta em grande parte do grande dinamismo do tecido empresarial. Os projetos em curso no Portugal 2020 acompanhados pelo IAPMEI representaram já cerca de 1,4 Mil milhões de euros de investimento e possuem um potencial de criação de 29 mil postos de trabalho. A região tem apresentado uma dinâmica semelhante à verificada a nível nacional.

O IAPMEI está descentralizado em várias regiões do País, mas com grande incidência a norte. Como justifica não existir uma delegação no distrito de Santarém ou de Castelo Branco, por exemplo?

O IAPMEI está empenhado no projeto “Espaço Empresa” que visa criar uma rede de pontos únicos de atendimento às empresas, distribuído por todo o espaço nacional, com serviços disponibilizados quer através do canal presencial, numa lógica de proximidade e de atendimento personalizado, quer através dos canais online e telefónico. Esta rede de atendimento multicanal permitirá o acompanhamento do empresário ao longo do ciclo de vida do seu investimento, traduzindo, no plano material, uma das linhas consagradas em sede do Programa do XXI Governo, em sede de melhoria do atendimento às empresas.

Inicialmente designado no Programa Simplex + 2016 como “Gabinete do Investidor”, e fundamentalmente centrado na vertente do atendimento presencial disponibilizado pela administração central (IAPMEI, AICEP e AMA), este projeto registou desde então uma evolução significativa. Assim, e por um lado, reconheceu-se a vantagem da sua integração num projeto mais vasto de criação de uma rede única, multicanal, de atendimento empresarial – a “Rede Espaço Empresa”. Por outro lado, passou-se a atribuir aos municípios um papel decisivo na expansão física desta rede de atendimento aos empresários, tendo em vista assegurar uma maior capilaridade da rede e explorar sinergias com estruturas de apoio ao investimento já hoje existentes em muitas câmaras municipais.

Qual tem sido a evolução do número de empresas a pedir o estatuto de PME Excelência? Como analisa a evolução desta distinção no distrito de Santarém?

O Distrito de Santarém acolhe 55 empresas PME Excelência, representando 2,8 % do total nacional, que é de 1947 empresas. As PME Excelência do Distrito de Leiria, apresentam duma forma geral indicadores de desempenho e solidez alinhadas com os observados para o País.

Que importância prática tem este estatuto para a vida das empresas?

Os Estatutos PME Líder e PME Excelência são efetivamente estatutos muito prestigiantes, desejados e disputados pelas PME.

A reputação dos estatutos, advém contudo das vantagens que confere às empresas distinguidas, quer em notoriedade e reconhecimento pelo mercado, junto de instituições públicas e privadas e ainda do acesso a um conjunto de bens e serviços (Seguros, fundos de pensões, seguro de crédito, combustíveis e energia, comunicações, …) em condições preferenciais, no âmbito de parcerias com diversas entidades.

As PME Líder e as PME Excelência (subconjunto das melhores PME líder) apresentam elevados níveis de desempenho, de solidez e de rating e são selecionadas pelo IAPMEI e pelo Turismo de Portugal, no âmbito de uma parceria que envolve os 11 principais bancos e o Sistema de Garantia Mútua, pelo que beneficiam de melhores condições no acesso a financiamento, em termos de prazo, taxas de juro e montantes.

Importa ainda salientar a relevância destas empresas enquanto exemplo e referência para as outras empresas, constituindo uma boa base de benchmarking»

15 de Março de 2018 - jornal "O Ribatejo"

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